Artigo Médico

Labirintite, um transtorno do equilíbrio

De repente, uma vertigem muito forte e tudo parece rodar com rapidez. Tontura e zumbidos que incomodam e até náuseas e vômitos podem ocorrer, associados ainda à palidez, apatia e desorientação, taquicardia e visão borrada. Tantos sintomas para uma doença que muita gente já ouviu falar, mas não sabe exatamente como acontece: a labirintite, uma inflamação do labirinto que altera totalmente o seu funcionamento, provocando o transtorno do equilíbrio.

A doença é bastante freqüente em todo o mundo e acomete tanto homem como mulher, incidindo em toda as faixas etárias. Numerosas doenças das mais diversas áreas da Medicina podem causar o comprometimento do sistema vestibular e auditivo, com os sintomas já descritos. O diagnóstico de tais distúrbios é feito pela história clínica e exame otoneurológico, que permite avaliar os sistemas responsáveis pela audição e pelo equilíbrio corporal. Com o exame otorrinolaringológico, avalia-se a possibilidade de uma afecção de ouvidos, nariz ou garganta estar relacionada com os sintomas labirínticos.

A primeira atitude do médico deve ser a de tranquilizar o doente e a família, explicando que a crise vertiginosa, apesar da intensidade de suas manifestações, representa uma condição passageira e benigna. No período da crise, não se deve realizar qualquer tipo de prova labiríntica.

Identificada uma causa, impõe-se o tratamento específico. Se não houver uma causa aparente, o paciente deve ser mantido em observação durante o tratamento labiríntico propriamente dito, pois a causa pode se evidenciar ao longo do período de acompanhamento. Limitamo-nos a observar os olhos do paciente, verificando a presença de nistagmo (movimento espontâneo dos olhos), que é geralmente intenso e que confirma a existência de comprometimento labiríntico.

Ocasionalmente, poderá não haver nistagmo no olhar de frente e neste caso solicita-se ao paciente que olhe para os lados, para cima e para baixo, ou movimenta-se a sua cabeça, colocando-a por alguns instantes em diversas posições. Toda essa insegurança fisica acaba gerando muita insegurança psíquica, e não é raro ver que o paciente labiríntico desenvolve certas fobias, como o medo de sair de casa, de estar com outras pessoas, de espaços abertos ou fechados, levando inclusive à ansiedade e depressão.

Dado o caráter incapacitante da vertigem aguda, o paciente é forçado a permanecer acamado por alguns dias. A recuperação funcional só ocorre, na maioria dos casos, após algumas semanas. O tratamento da vertigem pode classificar-se em clínico, cirúrgico e de reabilitação, e geralmente não são postos em prática de forma isolada, mas sim em combinação. Por outro lado, não se deve descuidar da importância de uma adequada psicoterapia, pois como já foi comentado, o componente psicológico pode significar, em determinadas situações, a única causa aparente do quadro apresentado pelo paciente.

Na criança e no adolescente

A vertigem e outras forma de tonturas parecem ser menos comuns em crianças e adolescentes do que em adultos e indivíuos idosos. No entanto, com a crescente atenção que vem sendo dada à otoneurologia infantil, temos observado um número cada vez maior de crianças e jovens com distúrbios labirínticos na rotina clínica. Alterações funcionais do sistema vestibular infantil podem causar perturbações no desenvolvimento motor, no aprendizado da linguagem falada e escrita, afetando a habilidade de comunicação, o comportamento psicológico e o rendimento escolar.

Nem sempre é fácil obter da criança ou de seus pais uma descrição precisa dos sintomas de comprometimento do equilíbrio corporal. Além da vertigem e outras tonturas, que podem não ser referidas, náuseas, vômitos, quedas, desequilíbrios ou desvios à marcha, cefaléia ou mal-estar indefinido podem levar à suspeita de envolvimento do sistema vestibular. Crianças e adolescentes com essas características devem ser sistematicamente submetidas à avaliação otoneurológica.

Dr. GabrieI David Hushi
Chefe do Serviço de Otorrinolaringologia /
Hospital Ana Costa
www.anacosta.com.br


VER MAIS ARTIGOS