Nicotina/Alcatrão
= cigarro. Combinação mortal
As
campanhas contra o fumo ganham força e
tentam conscientizar que o tabagismo é
a maior cusa isolada e evitável de doença
e morte no mundo ocidental. Há estimativas
de que, no Brasil, morrem 100 mil para 33 milhões
de fumantes e que de 5 em 5 minutos morre um brasileiro
de câncer de pulmão, doença
cardio-vascular ou enfisema provocados pelo fumo.
Um quadro assustador e de comprovados e vultosos
prejuízos para a sociedade, onde alguns
segmentos se empenham, em pesquisas, campanhas
e medidas preventivas para brecar esse carro mortal.
A matéria que você vai ler agora,
com dados da Sociedade Americana de Câncer,
aponta aspectos que confirmam a realidade crítica
gerada pelo fumo e reforça a nossa responsabilidade
social nesse combate.
Existe
um cigarro seguro?
Não. O cigarro é, talvez, o único
produto legal que é anunciado e cujo uso
deliberado, isto é, fumá-lo, causa
inevitavelmente danos físicos, com consequências
que podem ser muito mais abrangentes e também
danosas do ponto de vista social, econômico
e familiar.
É
possível fumar um pequeno número
de cigarros, sem correr riscos?
Considerando que cada cigarro causa sempre algum
dano à saúde, podemos concluir que
todos os fumantes sofrem os efeitos do cigarro,
característica que se confirma nas lesões
constatadas ao proceder à autópsias
de pulmão.
Quanto
tempo leva para o cigarro prejudicar o fumante?
Quase nenhum, pois a partir do momento que a fumaça
toca os lábios, começa a agressão
aos tecidos e continua por onde ela passa: boca,
língua, garganta, esôfago, vias respiratórias,
pulmões e estomago. Finalmente, os produtos
de sua decomposição alcançam
ainda a bexiga, o pâncreas e os rins.
Como
a nicotina atua no organismo?
A primeira dose de nicotina, veneno alcalóide
encontrado na natureza somente no tabaco, é
um poderoso estimulante do cérebro e do
sistema nervoso central; doses posteriores têm
efeito depressor. A nicotina eleva a pressão
sanguínea e aumenta a frequência
cardíaca de até 33 batimentos por
minuto. Ainda com relação à
primeira dose diária, ela estimula o intestino
grosso, dimunui o apetite e perturba a digestão.
Para se ter idéia de quão nociva
é a nicotina, pode-se afirmar que é
tão letal quanto o cianeto e só
não mata os tabagistas porque é
ingerida em ínfimas doses, que são
rapidamente metabolizadas e excretadas pelo organismo.
O
que, no cigarro, causa doença?
É o alcatrão encontrado na composição
do cigarro, já que ele éconstituído
por centenas de substâncias sólidas
e algumas delas estão diretamente ligadas
a doenças, como cardiopatias e doenças
circulatórias, câncer de pulmão
e outros, enfisema e bronquite crônica.
Todas essas são condições
incapacitantes e potencialmente letais e têm
sido, experimentalmente, ligadas com algumas das
substâncias do alcatrão, como ácidos,
glicerol, cetonas, álcoois, fenóís
e alguns ácidos corrosivos, entre outras.
Os
prejuízos causados pelo fumo são
permanentes?
Não se o tabagista parar de fumar em tempo.
Em fumantes que pararam antes do início
irreversível das pneumopatias ou cardiopatias
e doença circulatória, o corpo começa
a se recuperar dos danos previamente sofridos.
Após um ano sem fumar, o risco de infarto
passa a decrescer e, após 10 anos, o risco
passa a ser o mesmo a que estão sujeitos
os indivíduos que nunca fumaram. Com respeito
ao câncer pulmonar, os riscos começam
a diminuir ao parar de fumar, e só depois
de 10 ou 15 anos é que se pode comparar
às pessoas que nunca fumaram.
E
o filtro do cigarro, não ajuda a torná-lo
menos nocivo?
Qualquer dispositivo que reduza o alcatrão,
a nicotina, o monóxido de carbono e outros
gases venenosos na fumaça do cigarro pode
diminuir o risco, mas isto não torna o
cigarro seguro. Menos perigoso, talvez. Os que
fumam cigarros com filtro estão menos propensos
a desenvolver câncer do pulmão dos
que os que usam cigarro sem filtro, mas ainda
assim estão à frente dos não
fumantes 6,5 vezes com mais risco desse tipo de
câncer.
Que
perspectiva de cura tem um fumante com câncer
de pulmão?
As chances de cura para o câncer de pulmão
são muito baixas e o coeficiente de sobrevida
em 5 anos é menor 10%. Em sua maioria,
as formas da doença começam incidiosamente
e não produzem sintomas, até estarem
muito adiantadas e, por isso, raramente se detecta
a doença cedo o bastante para a cura. É
certo que não fumantes podem ter câncer
de pulmão, mas é comparativamente
raro, como se pode avaliar: cerca de 75 a 80%
de câncer de pulmão ocorre em tabagístas.
Opções
com baixos teores de nicotina e alcatrão
são menos perigosas?
Essas novas marcas até oferecem uma redução
de risco da saúde, mas só teoricamente,
pois como os fabricantes precisam satisfazer o
consumidor, são obrigados a adicionar uma
variedade de componentes aromatizantes conhecidos
como cancerígenos (causadores de câncer).
Apesar da baixa concentração de
alcatrão e nicotina, ao ser fumado o cigarro
libera uma altíssima concentração
dessas substâncias. Quanto aos cigarros
mentolados, testes realizados indicam que eles
não aumentam e nem diminuem a lesão
causada pelo cigarro comum.
Como
fica o fumante passivo? Ele também está
ameaçado?
O hábito passivo de fumar é perigoso
para pessoas com certas cardiopatias, pois causa
dificuldade respiratória e desencadeia
fortes reações alérgicas
em outros indivíduos. As crianças
com um ou ambos os pais fumantes têm uma
chance duas vezes maior de apresentar quadros
de bronquite ou pneumonia e de mais problemas
com adenóides e amígdalas que filhos
de não fumantes.
Dra.Sueli
Monterroso da Cruz
Depto. de Oncologia/Hospital Ana Costa
www.anacosta.com.br
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