O
MAL DE PRKINSON
Todos nós temos acompanhado, emocionados,
a lenta e implacável evolução
das dificuldades de Sua Santidade, o Papa João
Paulo II, para realizar movimentos e articular
palavras. Todos somos também testemunhas
da extrema lucidez com que o Sumo Pontífice
da Igreja Católica se manifesta. Suas intervenções
como líder espiritual de uma grande parcela
da humanidade, na defesa da paz mundial e da dignidade
do homem, são prova disso.
Que
doença é essa, que impõe
tanto sofrimento e limitações ao
corpo, ainda que o espírito permaneça
atento e lúcido?
EM BUSCA DAS CAUSAS
As
estatísticas mostram que a doença
de Parkinson atinge aproximadamente 1 em cada
1 000 pessoas nas sociedades ocidentais, embora
nem todos venham a apresentar as formas mais graves
da doença. Ainda que não se conheçam
suas causas, sabe-se que o processo de adoecimento
é caracterizado pela degeneração
de neurônios de um tecido especial do cérebro,
conhecido como substância negra. Esses neurônios
são produtores de dopamina, neurotransmissor
que, além de inúmeras outras funções,
participa decisivamente da coordenação
dos movimentos e do equilíbrio. Não
se identificaram ainda os fatores que levam à
degeneração dos neurônios
da substância negra, embora inúmeras
pesquisas sérias venham se desenvolvendo
em todo o mundo. Muito provavelmente, em breve
novas luzes serão lançadas sobre
as origens da doença, permitindo o desenvolvimento
de formas mais eficientes de tratamento e prevenção.
PRIMEIROS SINTOMAS
Os
sintomas do Parkinson costumam aparecer na terceira
idade, após os 50 anos. Inicialmente são
discretos: o paciente apresenta pequena rigidez
muscular, que torna os movimentos mais lentos
e dificulta a coordenação motora.
Surgem também tremores, sendo o mais característico
o dos dedos das mãos. Com o passar dos
anos, em especial se o tratamento correto não
for iniciado precocemente, a rigidez e os tremores
se agravam, atingindo os dois lados do corpo,
prejudicando o equilíbrio, provocando eventuais
quedas e dificultando a articulação
das palavras. Durante todo esse processo normalmente
não se observam alterações
da memória e da capacidade de raciocínio
atribuíveis à doença. Em
suas fases mais avançadas, o mal de Parkinson
restringe fortemente a movimentação
do paciente, que passa a necessitar de auxílio
para se locomover e para as tarefas do cotidiano.
TRATAMENTO
Embora
seja uma doença progressiva, sem cura conhecida
até o momento, quanto mais precocemente
for iniciado o tratamento, melhores serão
os resultados para o paciente. Portanto, à
primeira suspeita, deve-se procurar a orientação
do médico.O especialista a ser procurado,
além do clínico, é o neurologista,
que realizará as avaliações
necessárias para a confirmação
do diagnóstico e iniciará o tratamento.
Para controlar os sintomas, normalmente os especialistas
utilizam medicamentos à base de levodopa,
que apresentam resultados muito bons, principalmente
na fase inicial da doença. Entretanto,
conforme as limitações vão
progredindo, se faz necessária a contribuição
do fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, tanto
para recuperar habilidades perdidas, quanto para
prevenir o agravamento das limitações
através de exercícios que aumentam
a elasticidade muscular. A terapia com fonoaudiólogo,
da mesma forma, ajudará a preservar a capacidade
de articular as palavras, mantendo a funcionalidade
da linguagem.
ATIVIDADE SOCIAL
Como
em toda doença crônica, as limitações
do mal de Parkinson podem levar o paciente a um
estado depressivo, relacionado à sensação
de já não poder ser útil
, de não poder viver de forma autônoma.
Cabe à família e aos que convivem
com os portadores da doença, combater essa
tendência, que leva ao isolamento, à
retração social e, por fim ao agravamento
da própria patologia. A inclusão
do portador do Mal de Parkinson nos planos e atividades
da família e da comunidade, contribuindo
de forma ativa com suas aptidões, é
saudável e proveitoso para todos. O paciente
tem seus sintomas melhorados pela atividade motora
e pelo conforto psíquico que a paticipação
na vida do grupo proporciona. A comunidade se
beneficia do conhecimento, da experiência
e da sabedoria que as pessoas mais idosas, em
maior ou menor grau, acumulam ao longo dos anos.
Sabedoria que muitos aperfeiçoam na jornada
espiritual de autoconhecimento que, às
vezes, o sofrimento físico proporciona.
Precisamos dessas pessoas. Assim como precisamos
da autoridade moral do Papa, nestes tempos de
guerra e desumanidade.
Para
saber mais:
Associação Brasil Parkinson: (11)
578 8177
www.parkinson.org.br
Dr.
José Eduardo Dias Cardoso
Diretor Técnico da
Labormed Saúde Ocupacional
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