O
RISCO DO FUMANTE PASSIVO
As pessoas que habitam centros urbanos passam
aproximadamente 80% do seu tempo em ambientes
fechados, seja em casa, no trabalho, nas compras
ou lazer. A qualidade do ar desses ambientes é,
portanto, de fundamental importância para
a saúde de quem o respira. Apesar disto,
quando as pessoas falam em poluição
do ar consideram apenas a causada por indústrias,
automóveis, queimadas etc… Quase
nunca nos damos conta de que a poluição
tabágica, gerada em ambientes naturalmente
livres de outros contaminantes, como escritórios
e residências, pode determinar o surgimento
de doenças específicas (e o agravamento
de outras tantas) em pessoas suscetíveis.
A
título de exemplo, o ar é considerado
de boa qualidade quando a concentração
de monóxido de carbono é de até
9 ppm (partes por milhão) e a concentração
máxima permitida no ar urbano é
de 30 ppm. Pois bem, o Instituto Nacional do Câncer
informa, em sua publicação Falando
Sobre Tabagismo (INCA, 1996- 2a. edição),
que 25 fumantes consumindo 4 cigarros por hora
em um salão de 1000 metros cúbicos
determinam rapidamente concentrações
de até 100 ppm de monóxido de carbono
no ambiente. E isto considerando-se apenas o monóxido
de carbono, uma entre as mais de duzentas substâncias
tóxicas diferentes, algumas francamente
cancerígenas, geradas pela queima do cigarro.
Isto
ocorria frequentemente em ambientes de trabalho,
festas, salas de jogos etc… Hoje, com as
normas que restringem o fumo em ambientes fechados
a situação apresentou considerável
melhora, embora os abusos continuem ocorrendo.
Pessoas
expostas passivamente ao cigarro desenvolvem a
curto prazo manifestações irritativas
e alérgicas relacionadas à fumaça,
tais como irritação nos olhos, rinite,
alergias respiratórias, crises de asma.
A médio e longo prazo a exposição
passiva e continuada à fumaça de
cigarros causa redução da capacidade
respiratória, aumenta a frequência
de infecções respiratórias
em qualquer idade, contribui para o desenvolvimento
da aterosclerose, angina e infartos além
de determinar chance duas vezes maior de morrer
por câncer de pulmão.
Preocupa,
em especial o tabagismo no interior dos lares
onde crianças, idosos e pessoas com doenças
pulmonares, e portanto mais suscetíveis
aos efeitos nocivos da fumaça de cigarro,
convivem com fumantes. Ainda segundo a publicação
do INCA, crianças que convivem com um fumante
no domicílio têm quase o dobro de
infecções respiratórias quando
comparadas a filhos de lares onde não há
fumantes. A frequência de infecções
chega a ser quase três vezes maior quando
há mais de dois fumantes em casa. Infecções
respiratórias em crianças com menos
de um ano de idade e em idosos quando associadas
a outros fatores (como desnutrição,
outras doenças respiratórias, patologias
que determinem longo período de restrição
ao leito), podem adquirir gravidade e mesmo determinar
o óbito.
É
necessário que os não fumantes se
conscientizem dos riscos que correm ao assumir
a condição de fumantes passivos
e que os fumantes, também conscientizados,
sejam estimulados a abandonar o hábito
ou, ao menos a fumar de forma responsável,
não expondo outras pessoas a riscos evitáveis.
Para isto tem sido de grande valia a iniciativa
de empresas que instituem Programas de Cessação
do Tabagismo para auxiliar seus funcionários
fumantes que desejem parar, ao mesmo tempo em
que criam normas internas para o tabagismo responsável,
com restrição ao fumo nas áreas
de uso comum e criação de locais
apropriados para o fumo ao ar livre (fumódromos).
É necessário que cada vez mais empresas,
preocupadas com a saúde e qualidade de
vida de seus funcionários venham a adotar
política semelhante. Imprescindível
também que todos nós em casa, na
escola e em qualquer atividade do cotidiano façamos
a nossa parte.
Dr.
José Eduardo Dias Cardoso
Diretor Técnico da
Labormed Saúde Ocupacional
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