Artigo Médico

OSTEOPOROSE E EXERCÍCIOS


Com o passar dos anos, diversas mudanças ocorrem nos seres humanos e o corpo se ressente frente a essas alterações. Entre elas, a osteoporose merece um lugar de importância especialmente para as mulheres e na época da menopausa. Essa perda óssea (osteoporose) traz como conseqüência um risco aumentado de fraturas, principalmente na coluna vertebral, costelas e região do fêmur. Para que essa fragilidade não seja tão significativa, diversas atitudes médicas de caráter terapêutico e preventivo são executadas. Falando de prevenção, a prática de exercícios, associada a uma alimentação equilibrada, rica em cálcio e vitamina D, complementados com exposição ao sol, entre 7 e 10 horas da manhã, são fundamentais na época do crescimento para formação de uma boa reserva óssea.

Quem nunca praticou exercícios até a idade adulta não deve fazer disso nenhum empecilho e sim um estímulo de consciência para se programar nesse sentido. Quando a osteoporose já se instalou, as mesmas medidas preventivas são usadas como coadjuvante de terapia. Terapia essa que irá variar de acordo com o tipo e causas da osteoporose. E preciso entender que o sistema ósseo é um tecido vivo, em constante atividade e equilíbrio, com inúmeros elementos tanto positivos quanto negativos. Dentre os positivos, os exercícios são importantes, pois além de agirem na prevenção e no tratamento das osteoporoses, também melhoram o condicionamento cardio respiratório, o equilíbrio da marcha, padrão de reflexos e resistência muscular.

Um programa deste tipo deve ser precedido de uma avaliação médica, principalmente quando já se passou dos 40 anos de idade, pois toda atividade motora implica em uma maior ou menor sobrecarga física e cardio respiratória e esses limites devem ser respeitados. Para tanto, é preciso que os exercícios sejam dosados para cada paciente de acordo com suas habilidades, necessidades e limitações e não como é o mais freqüente, a colocação do indivíduo para o grupo de exercícios. Embora programas gerais possam ser sugeridos do ponto de vista prático, para aquelas pessoas sem maiores contra-indicações.

Por exemplo, uma caminhada ininterrupta, durante 20 minutos, em solo de areia ou grama, de preferência combinada com movimentos dos membros superiores, como levantar e abaixar os braços, elevá-los dos lados, dobrar e esticar os cotovelos, abrir e fechar as mãos. Após essa caminhada, outros movimentos mais específicos para força muscular e amplitude, que devem ser executados em pé, sentado ou deitado: movimentando-se todas as juntas, devagar, desde a cabeça até os pés. Sem exagerar. Com tranqüilidade e principalmente respeito ao corpo.

E importante não fazer exercícios com grande flexão, isto é, dobrando a coluna de maneira brusca ou forçada, pois os ossos osteoporóticos (fracos) podem sofrer fraturas nessa região, levando ao achatamento das vértebras. Tanto o exagero quanto a falta são prejudiciais.

Em medicina, como em tudo na vida, a arte do equilíbrio e bom senso deve estar presente nas decisões de saúde por isso, há que organizar também a freqüência os exercícios. O ideal é que estes variem entre três a cinco vezes por semana e entre 30 a 60 minutos em cada sessão. Outras combinações, como a natação, são associações interessantes pois melhoram também a flexibilidade, coordenação e amplitude muscular embora não estimulem a massa óssea como os exercícios contra resistência em solo. Todas essas atividades ainda colaboram na diminuição da ansiedade, depressão e melhora da auto-estima. Suas práticas devem ser estimuladas e realizadas sempre que possível com boa orientação, prudência e respeito aos limites de cada um.


Dr. Ricardo E.A.
(Chefe da Divisão de Ensino)
Chefe de Reumatologia do Hospital Ana Costa
www.anacosta.com.br


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