Previna-se.
O álcool pode ser mortal!
Nas palestras que tem realizado nas empresas conveniadas
com o Ana Costa, a enfermeira Elaine Tardone,
da Medicina Preventiva, percebe que entre os temas
abordados o consumo de bebidas alcóolicas
é um que interessa a praticamente todos
os segmentos, até porque as pessoas tem
acesso fácil a esse consumo.
Ainda que proibido para menores, o álcool
acaba sendo usado também por eles, pois
está presente em inúmeras situações
sociais, é tolerado em diversos ambientes
e comercializado mesmo ante a proibição
para o público adolescente.
O que nunca fica suficientemente alertado para
o consumidor é que o abuso de álcool
e o consumo continuado leva muita gente aos hospitais,
seja para desintoxicação imediata,
seja para tratar males que se vão tornando
crônicos, como cirrose hepática,
neurite ou gastrite, ou ainda por provocar acidentes
graves. Ao mesmo tempo, os efeitos do álcool
se fazem sentir na dinâmica familiar, desestruturando
as relações e gerando conflitos
que não raro levam à total desagregação
do núcleo, com consequências trágicas
e por vezes irreversíveis.
No organismo, a atuação do álcool
se dá em vários níveis, como
bem esclarece a enfermeira Elaine Tardone durante
as palestras:
- As mucosas são irritadas pelo álcool,
que produz ardor na boca e no esôfago e
sensação de calor no estômago.
Se o consumo se torna frequente, essa irritação
ou inflamação da mucosa do estômago
pode levar a uma gastrite crônica.
- O rendimento do coração diminui
e se a taxa de álcool for muito elevada,
pode até parar o seu funcionamento. Os
vasos sanguíneos se dilatam, o que aumenta
a perda de calor do organismo, especialmente no
frio.
- A quantidade de urina aumenta quando se bebe
álcool, em parte por ingerir líquido,
mas também por causa da irritação
que ele provoca nos rins.
- A respiração se deprime com doses
grandes de álcool.
- O desejo sexual é estimulado pelo álcool,
mas ele diminui a potência ou capacidade
para o ato sexual. Pode, inclusive, levar à
impotência total nos alcoólatras
inveterados.
Os efeitos do álcool no sistema nervoso
central dividem-se em três períodos,
passando de um a outro insensivelmente, à
medida que ele vai inibindo ou deprimindo os diversos
centros do sistema nervoso. Se for pequena a dose
de álcool ingerida, os efeitos ficarão
no primeiro estágio, passando aos outros
à medida que aumenta a quantidade de álcool.
Primeiro período ou de excitação
- há uma sensação de euforia,
de grande bem-estar físico e mental, alegria.
loquacidade e perda da timidez. O juízo,
o raciocínio, o senso de dever e de responsabilidade,
a força de vontade, a memória e
o poder de concentração ficam nitidamente
reduzidos. Apesar disso, as pessoas nesse estágio
se sentem capazes de fazer melhor e maior quantidade
de trabalho físico e intelectual, embora
estudos comprovem que a qualidade de desempenho
dessas pessoas é notavelmente inferior.
Ao aumentar a ingestão de álcool,
a face enrubesce, os olhos ficam brilhantes, o
pulso torna-se rápido e a pele quente e
úmida. Com frequência, aparece excitação
sexual que, unida à diminuição
de juízo, pode induzir a atos imorais e
inseguros.
Segundo período ou de descontrole - a falta
de domínio sobre a mente e o corpo aumentam
rapidamente e o alcoolizado diz coisas ridículas
e obscenas, fala de maneira incoerente e é
difícil compreendê-lo. Ri ou chora
com facilidade. Com frequência, se observa
nele irritabilidade, podendo chegar a agredir
pessoas. A marcha é vacilante e a força
muscular está diminuída, o pulso
e a respiração estão acelerados,
vê mal e tem zumbidos no ouvido. Frequentemente
aparecem vômitos. Sobrevem, em seguida,
sonolência que, ao acentuar - se, leva ao
terceiro período.
Terceiro período ou de coma - aparece sono
profundo, com perda da sensibilidade e dos movimentos
voluntários, mas se conservam pulso e respiração,
o que equivale a dizer que o indivíduo
está em estado de coma. A pele da face
e das mãos apresenta cor azulada, há
transpiração e tendência para
o esfriamento do corpo. As pupilas ficam dilatadas.
Podem apresentar incontinência urinária
e intestinal. Ocasionalmente, do coma alcoólico
a pessoa pode passar à morte.
É certo que os efeitos do álcool
variam de uma pessoa para outra, pois intervém
diferentes fatores que podem tornar menos notável
o efeito aparente. Assim, por exemplo, tratando-se
da mesma quantidade de álcool, os sintomas
serão menores se tomar uma bebida que contém
baixa porcentagem de álcool ou com ela
diluída, ou com estômago cheio ou
ainda se a pessoa está habituada a bebidas
alcoólicas.
O uso crônico de doses altas leva à
dependência física. A suspensão
abrupta pode desencadear a síndrome de
abstinência, deixando a pessoa confusa e
com visões assustadoras. Há também
tremores, desregulação da temperatura
corporal e convulsões. O quadro de abstinência
completamente instalado é conhecido como
delirium tremens.
Enfermeira Elaine Tardone
Medicina Preventiva / Hospital Ana Costa
www.anacosta.com.br
|