PRÓSTATA:
QUANDO O PRECONCEITO É O RISCO
De todas as formas de câncer o de próstata
é mais frequente em homens a partir dos
50 anos. Historicamente este câncer vem
ocasionando um grande número de mortes
a partir dessa faixa etária. O curioso,
ou melhor, trágico nessa história,
é que o câncer de próstata
é curável em praticamente cem por
centos dos casos, quando diagnosticado precocemente.
Estes homens não estão portanto
morrendo de câncer, mas sim “de preconceito”.
Ou preconceitos. Neste caso pelo menos dois: o
relacionado ao machismo, que atrasa ou às
vezes até mesmo impede a consulta ao médico
já que a palpação da próstata
é feita através do ânus, e
aquele relacionado ao tabu da “doença
ruim”. Até este ponto deste artigo
a palavra câncer foi repetida 05 (cinco)
vezes. Não por deficiência de estilo
ou falta de criatividade: a verdade é que
precisamos desmistificar essa palavra. Assim como
não há doença boa, vários
canceres são hoje perfeitamente tratáveis.
Devemos falar dos canceres e tratá-los,
como a qualquer outra doença, e não
como se estivéssemos invocando misteriosas
forças que escapam ao conhecimento humano.
O CÂNCER NÃO É O ÚNICO
RESPONSÁVEL PELOS SINTOMAS
É
frequente que as pessoas evitem procurar o urologista,
quando apresentam algum sintoma que julgam relacionado
à próstata, por medo de receberem
a notícia de serem portadores de câncer.
Não há atitude pior do que esta,
que denota desconhecimento e atraso. Não
há porque se alarmar com tais sintomas
já que várias outras patologias
causam sintomas prostáticos, As prostatites
são muito frequentes no adulto jovem. A
hipertrofia benigna, mais frequente ainda, começa
a se manifestar a partir dos 45 ou 50 anos. E
como o nome diz é benigna, não é
câncer.
HIPETROFIA BENIGNA DA PRÓSTATA É
COMUM APÓS OS 40 ANOS
Com
a idade próstata tem a tendência
de crescer, aumentando de tamanho e peso. Este
crescimento, quando excessivo acaba ocasionando
diversos sintomas, como diminuição
da força do jato de urina, dificuldade
para iniciar a micção, micções
frequentes, necessitando o paciente acordar diversas
vezes à noite para urinar pequenas quantidades.
Em casos extremos, a hipetrofia pode levar ao
comprometimento da bexiga e até dos rins,
devido ao esforço excessivo a estes órgãos
são submetidos.
INFLAMAÇÕES DA PRÓSTATA SÃO
FREQUENTES TAMBÉM EM JOVENS
As
prostatites, inflamações e infecções
da próstata, são bastante comuns
em adultos jovens. Boa parte das vezes se deve
a contaminações bacterianas originárias
de infecções genitais contraídas
em relações sexuais sem preservativos.
Seus sintomas podem ser intensos e de rápida
instalação, denotando quadro de
prostatites agudas, que em geral levam o paciente
a procurar o médico rapidamente. Outras
vezes são mais insidosos, evoluindo devagar
e não denotando muita intensidade, confundindo-se
até com o quadro já descrito da
Hipertrofia Prostática Benigna. Prostatites
agudas ou crônicas não tratadas adequadamente
podem também determinar complicações
maiores para o aparelho geniturinário.
QUEM DEVE REALIZAR EXAMES DE PREVENÇÃO
Se
você é jovem dificilmente estará
com um câncer ; se você já
é um cinquentão, provavelmente terá
uma hipetrofia benigna, e não câncer.
Mas mesmo assim realizar os exames urológicos
preventivos é um necessidade.
Todos os homens, independente da existência
de histórico familiar de câncer de
próstata deve iniciar aos 45 anos suas
visitas anuais ao urologista. O profissional prescreverá
os procedimentos necessários para a avaliação
da glândula e de todas as suas patologias.
Basicamente o procedimento de investigação
consiste em dosar a concentração
do PSA no sangue, realizar o toque retal e se
necessário uma ultrassonografia da próstata.
O EXAME DE SANGUE NÃO SUBSTITUI
O TOQUE RETAL E O ULTRASSOM
Embora
haja casos em que o urologista possa optar por
não realizar o toque retal, o exame de
sangue não o substitui. O PSA, avaliado
nesses exames, é uma substância que
aparece em níveis elevados no sangue em
várias afecções da próstata
e não apenas no câncer. Com o toque
o urologista experiente é capaz de definir
aspectos como tamanho, consistência e zonas
de calcificação que são importantes
para o diagnóstico final. E o mais importante:
o toque retal não dói! Qualquer
recusa só pode ser entendida como procedimento,
atraso... e vontade de correr riscos desnecessariamente.
Dr.
José Eduardo Dias Cardoso,
Diretor Técnico da Labormed Saúde
Ocupacional.
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