DOENÇAS
NEUROLÓGICAS DEGENERATIVAS: ALZHEIMER
Dando
continuidade aos artigos dedicados às doenças
neurológicas degenerativas mais comuns,abordaremos
hoje a doença de Alzheimer (DA).
Identificada pela primeira vez pelo médico
alemão Alois Alzheimer, em 1907, esta doença
continua sendo um enigma para a ciência
médica, no que diz respeito às suas
causas e tratamento. Embora as estatísticas
não sejam confiáveis, estima-se
que aproximadamente 4 milhões de americanos
e 1 milhão de brasileiros sofram desta
doença.
CAUSAS
Também
conhecida vulgarmente como demência, esclerose
ou caduquice, origina-se na verdade da degeneração
dos neurônios cerebrais que, em sua etiologia,
nada tem a ver com a arteriosclerose. Historicamente,
várias causas foram aventadas como infecções
por vírus, intoxicação por
alumínio e alterações bioquímicas,
sem que se lograsse confirmar qualquer delas.
Aceita-se hoje que a doença tenha determinação
genética, embora não ocorra a transmissão
linear entre membros de uma mesma família.
Seja qual for a etiologia, o que ocorre é
a morte gradativa dos neurônios cerebrais,
com atrofia do cérebro e surgimento de
depósitos de uma proteína alterada
entre os neurônios, conhecida como proteína
beta-amilóide.
PRINCIPAIS SINTOMAS
Os
sintomas da DA surgem em geral a partir dos 60
a 65 anos. Inicialmente o que se nota são
pequenas perturbações da memória
recente, como esquecer recados com frequência
ou não lembrar o conteúdo de uma
conversa recente. Nesta fase, a doença
é normalmente confundida com o processo
normal de envelhecimento, e os sintomas menosprezados.
Com a progressão da degeneração
cerebral, a perda das habilidades cognitivas evoluem
para o esquecimento de trajetos normalmente realizados,
dificuldade para reconhecer pessoas e lugares,
chegando à incapacidade de reconhecer parentes
próximos. Nesta fase, as alterações
frequentes de humor e mesmo a repetição
de atitudes socialmente inadequadas podem surgir.
Nos estágios mais avançados o paciente
já não reconhece sequer a si mesmo
quando visto no espelho, torna-se totalmente dependente
de terceiros para as mais banais atividades do
dia -a -dia, tais como comer, vestir-se etc…
O paciente pode ainda tornar-se agitado e mesmo
agressivo.
COMO ESTABELECER O DIAGNÓSTICO?
Infelizmente,
não há testes específicos
para a doença de Alzheimer. A determinação
de apolipropteínas no sangue pode indicar
maior chance de desenvolvimento da doença,
mas não se presta ao diagnóstico
de doença ativa. O diagnóstico de
certeza só é feito por biópsia
ou necrópsia do tecido cerebral. Na prática
clínica, o que se pode fazer é afastar,
através de exames específicos, outras
causas de demências, tais como tumores,
infartos cerebrais, deficiência de vitaminas
do complexo B etc… Dessa forma, o diagnóstico
de DA, na vigência de um quadro demencial,
é sempre um diagnóstico feito por
exclusão.
TRATAMENTO
O
tratamento deve ser iniciado o mais precocemente
possível, com o objetivo de melhorar a
qualidade de vida do paciente e tentar retardar
a progressão dos sintomas. Há algumas
drogas que apresentam resultados benéficos,
reduzindo os sintomas temporariamente. Entretanto,
nenhum medicamento hoje existente é eficaz
para impedir a progressão da doença.
Com o passar dos anos, o efeito benéfico
deixa de existir e os sintomas progridem. O tratamento,
portanto, não deve limitar-se somente às
drogas específicas. É necessário
o concurso de diferentes profissionais no apoio
ao paciente e seus familiares. Informação,
solidariedade e carinho são as principais
armas do tratamento, que busca manter a dignidade
e auto- estima do paciente. Nos estágios
mais avançados, quando o paciente necessita
de cuidados em tempo integral, o impacto sobre
a família precisa ser considerado. Os serviços
de saúde necessitam atuar preventivamente
sobre os familiares, informando-os, reforçando-os
e evitando os impactos negativos sobre a estrutura
familiar que, muitas vezes, ocorre em situações
como essa.
Para
saber mais:
www.abraz.com.br
ABRAz –Associação Brasileira
de Alzheimer, Doenças Similares e Idosos
de Alta Dependência.
Tel.: 0xx11-3237-0385 / 0800-551906.
Caixa Postal 39.913-São Paulo-S.P.Cep:
01060-970.
www.apaz.org.br
APAz- Associação de Parentes e Amigos
de Pessoas com Alzheimer, Doenças Similares
e Idosos Dependentes.
Tel: 0xx21-2552-3322
José Eduardo Dias Cardoso
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