Artigo Médico
DOENÇAS DEGENERATIVAS DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

Nos últimos anos, as doenças degenerativas que acometem o sistema nervoso central passaram a ocupar uma parcela maior das preocupações do público leigo. Seja pela divulgação que estas doenças vêm obtendo na mídia, seja por um número maior de casos diagnosticados em nosso meio (graças ao aperfeiçoamento dos métodos diagnósticos e à maior atenção dos médicos), é cada vez mais frequente que os pacientes procurem os consultórios em busca de informação sobre esse grupo de doenças. Embora sejam pouco frequentes, a severidade do quadro clínico nas formas avançadas justifica todos os esforços de difundir informações sobre elas. Quando os pacientes e familiares reconhecem precocemente os sintomas e buscam tratamento nas fases iniciais as chances de melhorar o prognóstico e a qualidade de vida do paciente são muito maiores. Destacam-se, pela prevalência, a Esclerose Múltipla (EM), que hoje abordaremos, e a Síndrome de Alzheimer.


ESCLEROSE MÚLTIPLA

A Esclerose Múltipla é uma doença crônica e progressiva, de origem auto imune, que atinge adultos jovens. Foi descrita pela primeira vez por Jean Charcot, em 1860. Entretanto, apenas nas últimas décadas passou a ser melhor compreendida. É mais frequente entre mulheres, em relação aos homens e, embora acometa todas as raças, ocorre mais entre pessoas de origem caucasiana.


SINTOMAS

Os primeiros sintomas da doença costumam ocorrer entre os 20 e os 40, mais frequentemente por volta dos 30 anos de idade. São decorrentes de alterações inflamatórias crônicas que acometem a bainha de mielina dos neurônios do sistema nervoso central. Evolui por surtos, causando fraqueza e perda da coordenação motora em membros superiores e inferiores, distúrbios da visão, tonturas, dificuldade para coordenar a marcha, diminuição da audição e dores pelo corpo. Menos freqüentemente, ocorrem alterações na esfera intelectual, como dificuldades para elaborar conceitos, embora sejam preservados o raciocínio e a fala. Embora não seja fatal, a EM compromete significativamente a qualidade de vida dos pacientes, devido às inúmeras restrições que impõe.


ETIOLOGIA

As causas da EM ainda não estão perfeitamente determinadas. Alguns estudiosos atribuem a origem do processo a vírus ainda indeterminado que, perturbando o funcionamento normal do sistema imunitário, induziria à destruição da bainha de mielina. Outros ainda atribuem importância a fatores externos, como o estresse, e à hereditariedade. Várias pesquisas em curso atualmente buscam esclarecer os mecanismos que originam a doença.


DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

O diagnóstico é feito pelo conjunto de sinais e sintomas relacionados à EM, que necessitam ser adequadamente interpretados pelo médico, já que podem ocorrer também em outras patologias. Contribui também para o diagnóstico a observação de imagens de placas degenerativas no sistema nervoso central, obtidas pela tomografia e ressonância magnética.

O tratamento visa proporcionar conforto ao paciente e, ao mesmo tempo torná-lo independente e produtivo. Para tanto, são utilizados medicamentos, como o interferon, e técnicas de fisioterapia e treinamento muscular para redução das limitações impostas pela doença.


PREVENÇÃO

O parco conhecimento sobre a etiologia da EM não permite estabelecer medidas eficientes de prevenção. Isto é particularmente grave diante do fato de que a doença atinge adultos jovens, no auge da vida produtiva, limitando-os severamente ao longo dos anos. Resta à família e aos pacientes procurar seu médico assim que forem identificados sintomas que possam estar relacionados à EM, como alterações da marcha, da coordenação motora e diminuição da força muscular sem causa aparente.

José Eduardo Dias Cardoso



Para saber mais:


ABEM- Associação Brasileira da Esclerose Múltipla – (0xx11) 5533 0582 abem@abem.org.br
UPEM SOR- União dos Portadores de Esclerose Múltipla de Sorocaba – (0xx15) 228 4293



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