Artigo Médico


ERISIPELA ( Doença freqüente no litoral )

Chamamos de erisipela a uma infecção que ocorre nos membros inferiores. Apesar de não ser exclusiva desta região, é aí que ela incide com maior freqüência. Curiosamente o germe causador da erisipela é o mesmo que causa a infecção da garganta, a amigdalite. Este germe é o estreptococo que vive na superfície da nossa pele sem causar nenhum tipo de dano desde que a barreira natural de proteção seja mantida íntegra.

A pele sadia é indevassável à maioria dos agentes bacterianos capazes de provocar doenças. Assim, para que se adquira a doença, é necessário que haja uma “porta de entrada” por onde o germe passe vencendo a barreira protetora. Na grande maioria dos casos de erisipela o estreptococo ultrapassa essa barreira através das micoses inter-digitais dos pés, as “frieiras”. Estas são muito freqüentes aqui no litoral devido ao clima, pés úmidos por excesso de transpiração ou exposição de pés descalços em pisos molhados ao redor de piscinas, chuveiros públicos ou de clubes. As pessoas que têm as pernas inchadas por qualquer motivo (varizes, trauma ortopédicos prévios etc) são mais susceptíveis.

Os sintomas iniciais da erisipela são de febre alta (390C), mal estar geral e náuseas que geralmente antecedem à manifestação na área comprometida, podendo ser confundidos com os de um estado gripal. A seguir forma-se uma área de intensa vermelhidão e inchaço que não raramente evoluem para a formação de bolhas como as provocadas por queimaduras.

Quanto mais precoce for o início do tratamento com antibióticos, menor será o grau de lesão tecidual e mais rápida a recuperação. Portanto deve-se evitar a perda de tempo com as rezas de benzedeiras, retardando o tratamento adequado e permitindo o agravamento das lesões que podem chegar a ulcerar a pele.

Devido às características de reprodução do estreptococo, o antibiótico deverá ser tomado durante 10 dias mesmo que os sintomas tenham desaparecido pois, formas inativas demoram de 5 a 7 dias para tornarem-se capazes de provocar infecção, as chamadas “recaídas”. Felizmente, o agente causador não apresenta resistência aos antibióticos. Assim, o tratamento é feito com derivados da penicilina, bem tolerados por via oral, e repouso domiciliar.

Não podemos esquecer porém de “fechar as portas” por onde o estreptococo passou, tratando das micoses inter-digitais e prevenindo o seu reaparecimento com medidas de prevenção com a higiene dos pés.

Os pacientes que apresentarem um primeiro surto de erisipela devem ter cuidados redobrados neste sentido, pois surtos repetidos podem levar a inchaço permanente e progressivo (elefantíase). Além das micoses deve-se ter cuidado também com ferimentos provocados ao cortar unhas e cutículas, rachaduras dos calcanhares e com escoriações pelo ato de coçar as lesões por picadas de insetos.



Paulo Fernando de C. lervolino
Médico / Hospital Ana Costa
www.anacosta.com.br


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